Grêmio é processado por dívida de R$ 1,15 milhão com empresa do programa de sócios
Enquanto a diretoria do Grêmio tenta equilibrar as contas de um elenco pressionado pela luta contra o rebaixamento, outra conta chegou para cobrar a porta: a Justiça. O clube foi acionado pela End to End, empresa que administra o programa de sócio-torcedor tricolor, que exige o pagamento de R$ 1,15 milhão em valores que afirma não receber desde abril deste ano. A informação foi revelada pelo jornalista Rodrigo Capelo, do portal Sport Insider.
Dois processos foram protocolados no início desta semana: um na Vara Cível Central de Porto Alegre e outro na Vara Cível de São Paulo, onde a End to End tem sede. A disputa expõe mais um capítulo da crise financeira que cerca o clube neste momento, agora batendo justamente na área responsável por manter o torcedor ligado ao dia a dia do Grêmio.
Quinze notas fiscais em aberto
Segundo a reportagem, a dívida nasceu do acúmulo de 15 notas fiscais não pagas pelo Grêmio, que somam R$ 935 mil em valores originais. Com a incidência de juros, multas e correção monetária, o montante subiu para os R$ 1,15 milhão cobrados na Justiça.
A parceria entre o Grêmio e a End to End começou em setembro de 2021 e está com os dias contados independentemente do desfecho judicial: o contrato se encerra em dezembro deste ano, quando o clube passa a trabalhar com uma nova dupla de fornecedores na área de sócios e ingressos, a Ingresse e a Tomorrow.
Início da parceria
Grêmio e End to End firmam contrato para gestão do programa de sócio-torcedor.
Pagamentos parados
Segundo a empresa, o clube deixa de honrar as notas fiscais a partir deste mês.
Fim do contrato
Parceria se encerra e Grêmio passa a trabalhar com Ingresse e Tomorrow.
Acusação de plágio e a resposta do Grêmio
A ação da End to End não se limita à cobrança financeira. A empresa também aponta um suposto plágio por parte do Grêmio em relação à interface da plataforma usada pelo sócio-torcedor. O clube rebate a acusação com veemência, embora reconheça pendências menores ainda em discussão entre as partes.
Em nota, o Grêmio explicou por que desenvolveu uma plataforma própria para o sócio-torcedor durante o período de desgaste com o fornecedor:
"Diante de constantes ameaças de interrupção, por parte da agência, de um serviço essencial ao torcedor, o Grêmio desenvolveu um front-end próprio para entrar no ar como um plano de contingência. A velocidade da substituição foi fruto de prevenção e planejamento, e não de improviso. O plano somente foi executado em função da interrupção do serviço por parte do fornecedor.
Foi tomado todo o cuidado para que o novo sistema fosse desenvolvido 100% do zero, o que afasta qualquer possibilidade de plágio. Nunca houve a utilização de qualquer linha de código (HTML/CSS) ou de imagens criados pela End to End. Vale ressaltar que o Grêmio nunca teve acesso ao código-fonte das aplicações da empresa, o que garante total independência do desenvolvimento."
Apesar de negar o plágio, o clube admitiu a existência de "valores residuais em discussão entre as partes" — um reconhecimento parcial que, na prática, não encerra a disputa sobre o montante total cobrado pela empresa.
A ação judicial chega em um momento delicado para o Grêmio fora de campo, somando-se a outras pendências financeiras ligadas ao futebol que já rondam o clube. Com o contrato com a End to End já com data marcada para terminar, em dezembro, a disputa na Justiça segue agora um caminho próprio, separado da transição para os novos fornecedores Ingresse e Tomorrow. O Grêmio informou que vai apresentar sua defesa nos autos dos dois processos, em Porto Alegre e em São Paulo.