Renato reúne Carlos Vinícius e Marlon e pede abraço da torcida contra o Z-4
Tem tarde em que a zona mista de um estádio vira ringue. Foi assim nesta sexta-feira na Arena, quando Renato Portaluppi surgiu quase de surpresa entre microfones, câmeras e celulares para um pronunciamento de pouco mais de três minutos. Ao seu lado, Carlos Vinícius e Marlon, os dois líderes mais ouvidos do elenco neste momento. Juntos, pediram o abraço da torcida gremista na reta final da luta contra o rebaixamento, às vésperas do confronto direto contra o Coritiba, na próxima segunda-feira, no Couto Pereira.
Uma mobilização com cheiro de 2024
A cena não foi escolhida por acaso. Dois anos atrás, Kannemann e Pedro Geromel deram as mãos a Renato para um gesto parecido, em plena crise gerada pela enchente que tirou o Grêmio de Porto Alegre e colocou o clube na briga por permanência na Série A. Desta vez, o cenário se repete: outra reta final apertada, outro apelo direto ao torcedor, com Odorico Roman, Rafael Lima e Paulo Pelaipe acompanhando de perto a movimentação da comissão técnica e dos jogadores.
O recado de Renato
O técnico não respondeu perguntas. Fez a fala e abriu espaço para os jogadores. Antes disso, deixou claro que considera a união entre clube e torcida o único caminho possível neste momento da temporada.
"A gente sabe que o momento não é muito bom. O nosso torcedor também não está muito satisfeito. É uma coisa normal. Mas mais do que nunca, nós precisamos estar juntos. Grêmio e torcida. Torcida e o Grêmio."
Renato também tratou de rebater, pela segunda coletiva seguida, qualquer ideia de rixa interna entre comissão técnica e elenco.
"Diferente do que muita gente está falando, o nosso grupo está muito fechado, muito unido. Trabalhando bastante. Volto a repetir, a gente sabe que o momento não é dos melhores, mas somente nós, grupo, presidente, diretoria e juntamente com o nosso torcedor para sair dessa situação."
O treinador aproveitou ainda para agradecer à diretoria pela liberação de quatro mil ingressos gratuitos para a torcida acompanhar a equipe no Couto Pereira.
"Nos abracem. Podem ter certeza que no dia a dia nós estamos trabalhando bastante para que a gente consiga o nosso objetivo. O nosso objetivo é o objetivo do nosso torcedor. É permanecermos na primeira divisão. E eu tenho certeza que, com a força deles, como sempre estiveram ao nosso lado, isso vai acontecer."
Carlos Vinícius nega saída e fala em final de campeonato
Depois de Renato, foi a vez de Carlos Vinícius atender a imprensa. O centroavante negou qualquer negociação de pré-contrato com o Atlético-MG, clube especulado nos últimos dias, e tratou o jogo contra o Coritiba como decisivo para o restante da temporada.
"É final de campeonato. A gente tem isso claro. Não tem outro caminho. É vitória. Temos que fazer a vitória. Precisamos dos três pontos. Trabalhar para que a nossa atitude resulte em vitória. A torcida estará lá. Sabemos desse movimento. Dizem em toda entrevista que o elenco está rachado. Zero! Zero! São guerras que vão se criando, mas que do portão para dentro do CT, para nós é zero."
Marlon: "Estamos nas cordas"
Na sequência, Marlon usou a linguagem do boxe para descrever a situação do Grêmio no Brasileirão. O lateral-esquerdo reconheceu que o vestiário também viveu cobranças internas ao longo da temporada, mas reforçou que a solução para escapar do Z-4 depende exclusivamente do próprio elenco.
"Sobre a briga contra a queda, estamos nas cordas. Não tem para onde correr. Ou tu aguenta os socos e nocauteia o adversário ou tu vai para a lona. Temos sete jogos e precisamos vencer. Lavamos a roupa suja algumas vezes, mas tapamos o sol com a peneira algumas vezes. Nós que temos que nos tirar dessa situação. É a realidade em que nos colocamos."
O lateral completou citando a extensão do calendário e cobrando uma reação coletiva nas rodadas finais.
"O Brasileirão é uma maratona. Se diz que o campeonato é longo. Erramos muito. Só nós que podemos reverter isso. Nosso torcedor sempre comparece. Sabemos que eles irão aonde for pelo Grêmio."
Marlon nega acordo de premiação por permanência
Horas depois da coletiva coletiva ao lado de Renato e Carlos Vinícius, Marlon voltou a falar com a imprensa, desta vez para tratar especificamente de um assunto que circulou durante a semana: a suposta negociação de um bônus financeiro para os jogadores em caso de permanência na Série A. O lateral negou que exista qualquer tratativa nesse sentido com a diretoria gremista.
"A gente foi pego de surpresa nessa situação. Se as coisas estivessem andando bem no Grêmio, a narrativa seria completamente diferente. A nossa ineficácia dentro de campo durante a temporada abre margem para qualquer criação de situação."
"Não negociamos prêmio com a direção. Eu sou um dos caras que trabalha com questão do prêmio, e a gente não falou com a direção sobre premiação."
Apesar de descartar uma negociação em andamento, Marlon não fechou a porta para o tema no futuro, caso a diretoria decida apresentar uma proposta formal ao grupo.
"Se a diretoria chegar para a gente e falar: 'Temos tantos milhões para ficar na primeira divisão', é uma outra situação. A gente sabe que no futebol os times que a gente vai enfrentar também vão ter incentivo."
Para o lateral, a repercussão do assunto está diretamente ligada ao momento ruim da equipe na tabela. Ele preferiu direcionar o foco para o que considera prioridade imediata.
"Precisamos ter coesão, ter qualidade e conseguir os pontos, que é o mais importante."
A mobilização desta sexta-feira repete o roteiro de 2024, mas acontece em um momento de pressão crescente sobre elenco, comissão técnica e diretoria. Com quatro mil ingressos liberados gratuitamente pelo clube, a expectativa é de forte presença de torcedores gremistas no Couto Pereira para o duelo direto contra o Coritiba, na segunda-feira, às 19h30min, pela 32ª rodada do Brasileirão. Antes de mais uma rodada decisiva, a mensagem do Grêmio foi direta: sem união entre clube e torcida, a permanência na Série A fica ainda mais difícil.